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Um passeio pela história

De capital da colônia, passando por sede do império até distrito federal da República, o Rio de Janeiro protagonizou alguns dos mais importantes momentos políticos da formação do País

28 Fevereiro 2015 | 12h 00

 

Bondinho do Pão de Açúcar na década de 1930

Conhecida por suas belas paisagens, a cidade foi palco e também personagem fundamental de capítulos importantes da memória do Brasil. Sua trajetória começou em 1502, quando o navegador português Gonçalo Coelho chegou às águas da Guanabara em 1º de janeiro e, pensando se tratar da foz de um rio, batizou o lugar como Rio de Janeiro.

A região foi sendo habitada aos poucos e em 1º de março de 1565 a cidade foi fundada por outro português, Estácio de Sá, que havia sido enviado para pacificar o território, ocupado por franceses e índios tupis, e contou com a ajuda dos padres jesuítas Manoel de Nóbrega e José de Anchieta, que desejavam disseminar a fé cristã. Assim, a luta foi também um conflito de culturas e credos, já que os índios tinham seus próprios rituais, os franceses eram protestantes e os portugueses, católicos. Em meio a esse confronto, nasceu oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, no local onde hoje está a Fortaleza de São João, na Urca.

Rio colonial
Com os anos, a área urbana do município foi se modificando, com mais casas e construções relevantes como igrejas, colégios, a Ponte dos Jesuítas e o Aqueduto da Carioca. A pecuária e a lavoura de cana-de-açúcar impulsionaram o progresso e, em 1763, a cidade foi promovida a capital da colônia, em especial por sua vocação natural como porto. Salvador era a capital até então, mas o ouro havia sido descoberto em Minas Gerais e a importância crescente do porto do Rio para escoar a produção garantiu a transferência da sede do poder para o sul, tornando a cidade a base geopolítica do Brasil.

Nessa época, mais obras públicas foram feitas, principalmente chafarizes. Várias são assinadas por Mestre Valentim, conhecido artista do período colonial. Também surgiram os primeiros centros culturais e mais áreas da cidade passaram a ser ocupadas. Na mesma etapa, o município testemunhou ainda o martírio de Tiradentes, enforcado e esquartejado em 1792.

Sede da realeza
Em 1808, diante da ameaça de invasão de Portugal por Napoleão, a Família Real portuguesa e sua corte se mudam para o Rio de Janeiro e fazem da cidade a sede na monarquia, transferindo de Lisboa para o Brasil todas as instituições administrativas e jurídicas. O acontecimento, único em todo o mundo, foi determinante para a formação do Brasil e o início de um novo ciclo econômico e cultural da capital.

A partir daí, houve uma remodelação urbana e arquitetônica, com a multiplicação de novos edifícios públicos, como o Teatro São João, a Academia Real Militar, a Real Biblioteca Nacional, o Banco do Brasil e o Horto Imperial (hoje conhecido como Jardim Botânico), além de igrejas, academias científicas, filosóficas e literárias.

A cidade se expandiu além dos limites do centro e uma marca registrada da época, a palmeira imperial, foi introduzida na paisagem. A população aumentou e milhares de imigrantes aportaram na capital. Somado a isso, a vinda de mercadorias estrangeiras e as facilidades econômicas contribuíram para modificar a vida material e o cotidiano carioca, transformando a cidade em um centro cosmopolita.

O segundo reinado
Três anos após a chegada da realeza, D. Pedro I teve seu primeiro filho no Brasil, também chamado Pedro. Mas quando o menino tinha seis anos, o pai abdicou do trono e deixou o País. Pedro II ficou em sua cidade-natal e, com apenas 14, se tornou imperador.

Os 50 anos de seu governo foram marcados por transformações e melhorias na capital, como o bonde, a iluminação a gás e as primeiras redes de saneamento. O comércio e a indústria se expandiram e tecnologias revolucionárias, como a fotografia (1840) e o telefone (1877), foram trazidas para a cidade.

No fim de seu reinado, um marco na história: em 1888, é decretada a abolição da escravatura, assinada pela filha do imperador, a Princesa Isabel. Estima-se que em apenas 20 anos (entre 1811 e 1831), período intenso do comércio de escravos, desembaraçaram no Rio de Janeiro entre 500 mil e um milhão de negros vindos de várias partes da África. A cidade teria recebido sozinha cerca de 20% de todos os africanos escravizados que chegaram vivos às Américas.

Capital republicana
No ano seguinte, foi proclamada a República e o Rio de Janeiro passou a ser Distrito Federal, a capital da República do Brasil. A partir daí, a cidade vivenciou uma nova série de remodelações urbanas, incluindo a inauguração dos dois mais icônicos pontos turísticos cariocas: o Cristo Redentor e o Bondinho do Pão de Açúcar. Foi na condição de capital do País também que o carnaval foi incluído no calendário oficial da cidade, em 1935, pelo prefeito Pedro Ernesto. No mesmo ano a marchinha Cidade Maravilhosa foi escolhida como o hino oficial do Rio. Completando 80 anos em 2015, a música foi lançada por Aurora Miranda, irmã de Carmem Miranda.

Em 1960, outro acontecimento mudou a vida dos cariocas: com a inauguração de Brasília, o Rio de Janeiro deixava de ser a capital federal e funcionários públicos, autarquias e empresas foram transferidas para o novo centro do poder. O Rio então passa a ser uma cidade-estado, a única do Brasil, com o nome de Estado da Guanabara. Nesse período, ocorreu a inauguração da Ponte Rio-Niterói, em 1974, símbolo da pressão do governo militar pela unificação dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. A fusão aconteceu em 1975 e a cidade se tornou enfim a capital do estado do Rio de Janeiro.

Apesar de ter deixado de ser a capital do País, o município permaneceu no posto de polo social, político e cultural do Brasil nos anos seguintes sendo, por exemplo, o cenário de grandes manifestações pela volta da democracia, as Diretas Já. Para citar apenas alguns outros eventos importantes, também sediou a Eco-92, a histórica conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento, a Rio+20 (nova conferência sobre o clima), a Jornada da Juventude e a Copa do Mundo. E especialmente manteve-se como metrópole mundialmente conhecida, não só por sua excepcional beleza, mas também por ser um rico reduto de bens representativos de épocas e episódios significativos da história e da cultura brasileira.

Manifestação pela volta da democracia no centro do Rio

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